Confraria Senhor dos Passos
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     Muito antiga a devoção dos Passos, em Santo Tirso, com as procissões respectivas. Aos começos do sec. XVII, temos notícias de uma encomenda de esculturas que o Abade de Santo Tirso, D. Frei Luís do Espírito Santo,  requerera do escultor de  Braga, Gonçalo Rodrigues. Em 1825, fala-se, num arrolamento, de quadros com os Passos do Senhor  pintados, todos de pau e bastante antigos. Talvez sejam referências a dois deles que, agora se encontram na sacristia da matriz: uma Flagelação e um Ecce Homo, assinados por um indivíduo, de nome Stella, e datados de 1673.

     Não sei de quando data a instituição da Confraria, que, sob  as citadas obras de arte, parece vislumbrar-se mais o convento, pela figura do abade. A Confraria existiria já aos começos do sec. XVIII. É ela que, em 1729, tomará a liderança da construção da Capela dos Passos de Santo Tirso, que, exactamente, naquela data começaria a levantar-se. Antes, serviria de sede, para resguardo das alfaias, a Capela das Angústias, situada no enfiamento do topo norte do transepto e que, em obras de 1726, àquele se colaria. Ficou, agora, a ser o prolongamento mesmo do transepto e assumiria  desta feita o nome de Capela da Senhora da Piedade.      

1 . A Capela dos Passos 

     A Capela dos Passos, iniciada em 1729, será inaugurada em 1731. Mas, desgastada pela mó do tempo, iria sofrer reparações, até mesmo profundas, verdadeiras reconstruções, nos anos de 1825, 1875 – esta custeada pelo  Conde de S. Bento -, 1935. Finalmente, por entre 1966 e 1978, a Capela seria apeada e mudada de lugar, numa distância de uns cinquenta metros. Baixaria de uma posição cimeira para sul, ficando abaixo e ao par do actual Museu Abade Pedrosa.      

2 . A procissão dos Passos 

     Já desde há muito que a procissão dos Passos se realiza no Domingo de Lázaro. Ou então no que se chamava Domingo da Paixão, quinze dias antes da Páscoa. Os Passos de Landim fazem-se oito dias antes dos de Santo Tirso. E há uma tradição constante que afirma que, quando chove nos Passos de Landim, haverá sol nos Passos de Santo Tirso. E vice-versa. Este adágio, às vezes, dá certo. Mas não posso garantir que sempre o tenha sido desta forma... 

    Integram  o cortejo processional a irmandade, os anjinhos, acompanhados de um adulto com opa, os andores do Senhor dos Passos e da Senhora da Soledade. Sob o pálio, o Santo Lenho. Fazem guarda de honra aos andores e à procissão os bombeiros e  elementos da polícia.

     Alberto Pimentel recorda um antigo costume tirsense que se fazia de véspera. Cito-o tal como ele conta: Na véspera d’esta procissão, á noite, é costume percorrerem as ruas da villa diversos grupos de pessoas cantochonando uma toada lugubre, e ás vezes ensurdecedora, que denominam “os sete Passos”.     Esta antiga tradição levanta reclamações, aliás muito sensatas; mas tem resistido, porque é difficil extirpar costumes inveterados [1]. 

[1] PIMENTEL, Alberto – Santo Thyrso de Riba d’Ave, p. 228    

ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS  

         Peditório anual abrangendo toda a área geográfica da paróquia de Santo Tirso;

         Procissão anual;

         Apoio aos peregrinos no dia de S. Bento,(11 de Julho), em parceria com a Cruz Vermelha , Núcleo de Santo Tirso;

F. Carvalho Correia